sexta-feira, 30 de setembro de 2011


Trupe se utiliza de bonecos de sucata para tratar do meio ambiente



Na infância do ator Genivaldo Aleixo, a sucata tinha lugar certo: o cesto do lixo. Não passava pela cabeça daquele menino, já criado sob os reflexos da urbanidade, transformar o conteúdo descartável em diversão. Os anos precisaram se passar, e o contato com a arte teatral se fixar completamente na vida do artista, para o hábito de antes se esvanecer. Dito e feito: atualmente, sucata tem sinônimo de utilidade nas mãos do ator. Não à toa: ao lado da atriz Lilian Lima, Aleixo transforma o descartável em bonecos preciosos para contar histórias sobre a preservação do meio ambiente. Entre as quais, "A Semente da Natureza", em cartaz neste domingo (2), às 10h30, no Espaço Cultural Casa do Lago (Unicamp), em Campinas.
Antes de transformar o aparente inútil em útil, Aleixo, de 34 anos, conta que a dupla perambulava por outros materiais na hora de confeccionar as figuras. No começo, "fazíamos bonecos de espuma ou de tecido", lembra. Ao tomar a reciclagem como arte, em 2010, o duo fundou uma companhia dedicada ao tema. Trata-se da Canoa Encantada Teatro de Animação, radicada em Hortolândia. O primeiro impasse surgiu logo de cara. "Como faríamos bonecos de balcão feito de sucata, que tivesse a articulação devida, mas que não tivesse cara de sucata?". A resposta, após testes, foi encontrada na papietagem. "O papel, também reutilizado, nos daria o acabamento desejado".
Mãos à obra. Sem dramaturgia certa na cabeça, a dupla se enveredou na construção do primeiro boneco. Levou três meses para concebê-lo. Durante o processo, o conceito de sucata se ampliou. "Percebemos que a sucata poderia ser metal e embalagens plásticas, como tecido em trapos ou pedaços de outros bonecos". A partir de tal compreensão, nasceu o mago Picum. Se deu pano para manga construí-lo, o ator e bonequeiro afirma que não. O menino Dim foi pior, elege. "No segundo boneco, tínhamos o manejo do mecanismo, mas a sucata era diferente. Nada de um boneco consegue se repetir no outro", avalia.


A fabricação do segundo boneco ampliou a intimidade da trupe com o conceito de sustentável. "Estávamos tratando do tema no boneco. Por que então não falar disso?", recorda-se. Levaram o tema para a cena. Na concepção, personagens e dramaturgia foram construídos de forma conjunta. Numa digressão ao universo do descartável, Aleixo se propõe a comentar sua utilidade no espetáculo. Por exemplo, os arames de uma gaiola serviram para a construção da estrutura dos bonecos, enquanto o madeiramento do objeto para a confecção de uma árvore. "Partes de uma lanterna e cabos telefônicos viraram a máquina de ilusões", lembra.
A partir de improvisos, "A Semente da Natureza" brotou como a história do garoto Dim que, após o roubo de uma semente preciosa, sai à procura do símbolo. Ao longo da investigação, o menino descobre o paradeiro da semente: o laboratório do terrível cientista Onofre Estrofes. Na empreitada, Dim conhece o mago Picum. "É um sábio, mas que já perdeu o frescor da infância. Não tem mais aquele olhar puro e limpo da criança". Soma-se aos protagonistas, construídos a partir da técnica do boneco de balcão, três objetos falantes: folha, bola e uma placa.             

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